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Cupins

 

Os cupins são insetos conhecidos por nós pelo hábito de se alimentarem preferencialmente de celulose, atacando por esta razão papéis, livros, estruturas de madeira, ou qualquer outro material derivado deste composto (polímero).

Os cupins existem na Terra há muito mais tempo que o próprio homem, sendo que restos fossilizados deste insetos já foram encontrados em formações geológicas datadas de 55 milhões de anos. Durante todo este período, os cupins têm desempenhado um papel fundamental no meio ambiente, na decomposição de matéria orgânica ao solo, contribuindo para a incorporação de nutrientes e fertilidade do solo.

No entanto, desde que o homem começou a construir habitações ou estruturas de madeira, é que se conhecem os danos causados por este inseto. A própria denominação "cupim" é mais antiga que o Brasil, tendo sua origem na língua Tupi e significando "montículo", em referência ao formato do ninho de uma determinada espécie de cupim encontrado no interior do Brasil.

De acordo com o Dicionário Aurélio, podemos encontrar os seguintes sinônimos da palavra cupim, em Português: térmita, térmite e itapicuim, este último utilizado na região Amazônica do Brasil. A denominação térmita, por sua vez, é originada do latim "Termes" e era utilizada pelos romanos ao se referirem ao "verme da madeira", seu significado em latim, dada a aparência que os mesmos apresentam quando infestando uma estrutura de madeira.

Descrição e Biologia

Os cupins são insetos sociais organizados em castas, com funções definidas. Os operários fazem a limpeza e quase todo o trabalho do cupinzeiro. Os soldados são responsáveis pela defesa física ou química (toxinas ou substâncias pegajosas). Os reprodutores, rei e rainha, podem viver alguns anos e apresentam grande fecundidade.

O cupim-de-monte (Cornitermes cumulans), é a espécie mais conhecida em lavouras e em pastagens no Brasil, construindo montes típicos, de contornos arredondados e textura rígida. Em lavouras sob PD, esse cupim tornou-se praga em lavouras extensivas. Nas regiões de terras baixas do sul do Brasil, ocorrem montes, semelhantes aos de cupinzeiros, construídos por formigas do gênero Camponotus (Loeck et al. 1993). A formiga-cupim pode infestar grandes áreas com alta densidade, causando transtorno semelhante aos dos verdadeiros cupins. O ninho se diferencia por apresentar estrutura menos rígida e pela presença de plantas ao redor e sobre o monte. As formigas pretas, ardideiras, também constroem montes de terra solta e causam problemas na colheita, por causa da terra no mecanismo de transporte de grãos da colhedora.

Os cupins subterrâneos, Heterotermes sp. e Procornitermes striatus, constroem longas galerias no solo. Pouco se conhece sobre o ninho e sobre a biologia desse grupo. Movimentam-se a longas distâncias e profundidades variáveis no perfil do solo, de acordo com as condições favoráveis de teores de água, de temperatura e de alimento.

A formação de novas colônias ocorre por brotamento, sociotomia e revoada ou enxameamento. A revoada ocorre no período situado entre agosto e dezembro. No solo, um rei e uma rainha juntam-se, formando novo ninho. A rainha é distintamente maior do que os demais componentes do cupinzeiro. A capacidade de postura é de alguns milhares de ovos por dia, na fase de maior reprodução. Ao morrer, a rainha pode ser substituída por jovens reprodutivas.

Danos na agricultura: Os cupins alimentam-se de produtos celulósicos. A celulose é digerida por protozoários ou bactérias no interior do tubo digestivo do inseto. Os cupins ocupam importante função na reciclagem de nutrientes e na quebra de substratos em partículas menores para a decomposição. Em lavouras, os cupins subterrâneos Heterotermes sp. e Procornitermes, atacam as sementes e a parte subterrânea de plantas. Algumas espécies consomem folhas, à semelhança das formigas cortadeiras.

Os danos causados pelos cupins podem ser diretos, através do consumo de sementes e plantas, ou indiretos, pelos montes nas lavouras, que dificultam a semeadura e a colheita, provocam a quebra de equipamentos e hospedam animais peçonhentos. Em lavouras sob PD, constata-se o aumento significativo de cupins-de-monte. No início, são pequenos montículos e passam despercebidos. Nessa fase são mais fáceis de serem controlados. Na região tropical os cupins subterrâneos causam danos severos, enquanto no sul do Brasil, as espécies predominantes alimentam-se de material orgânico e têm importância secundária como praga.

Controle

O controle de cupins depende da espécie e de suas características biológicas. Os cupins de monte podem ser controlados mecanicamente através da broca perfuradora de solo, acoplada ao trator, durante o inverno, antes da fase reprodutiva. Dois meses após, deve-se repassar a broca nos cupinzeiros que continuam em atividade. A injeção de inseticidas, através de uma abertura no topo do monte, é outra alternativa eficiente de controle da praga.

O controle biológico aplicado, através do uso de fungos multiplicados em laboratório, pode ser adotado para cupinzeiros-de-monte. Resultados com a injeção de Beauveria bassiana e de Metarhizium anisopliae em cupins-de-monte, são promissores. Entretanto, esses fungos ainda não estão sendo comercializados para controle de cupins. Os cupins subterrâneos são de difícil controle. O tratamento de sementes ou a aplicação de inseticidas no sulco de semeadura são as alternativas de proteção de sementes e plântulas de milho.

As espécies mais comuns e causadoras de prejuízo ao ser humano são:

 

Espécie: Cryptotermes brevis

Nome popular: Cupim de Madeira Seca

Sintomas aparentes: madeira fofa com canais, e a presença de grânulos, que são resíduos fecais. Fazem seus ninhos dentro dos móveis ou do madeiramento propriamente dito, e suas colonias são pequenas.

 

Espécies: Coptotermes havilandi, Heterotermes (e outros)

Nome Popular: Cupim Subterrâneo

Sintomas aparentes: túneis de terra ao longo das estruturas, e madeiras fofas, mas sem a presença de grânulos. Fazem seus ninhos em diversos locais, como solo, árvores, lajes tipo caixão, paredes duplas, espaços vagos e outros. Suas colônias podem atingir tamanhos variáveis, normalmente sendo muito grandes.

 

Espécies: Sintermes, Pericapritermes e outros

Nome Popular: Cupim de Grama

Sintomas Aparentes: gramado, plantas e ávores danificadas. Os soldados possuem em geral a cabeça bastante avantajada e diferenças em suas mandíbulas conforme a espécie. Fazem seus ninhos de maneira difusa, sempre logo abaixo do gramado, dividindo em pequenas colônias ou em montículos ou arbóreos.

Fonte: Ambiente Brasil

 

 

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